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A COVID-19 e o Plástico não precisam ser um paradoxo!

Para reflexão:

A foto acima usada nesse artigo está circulando na internet e é algo chocante, porque ao mesmo tempo que uma máscara de TNT pode salvar uma pessoa, também pode contaminar o meio ambiente. Mas apenas serve como lembrete de que o plástico não tem culpa dos estragos que os humanos produzem por lançá-los na natureza. O problema não é o plástico, mas sim o uso do descarte irresponsável que o ser humano faz dele.

A Pandemia da COVID-19 ressaltou mais uma vez a importância do plástico no mundo. Para quem não sabe, as máscaras comuns feitas de TNT (Tecido Não Tecido) são feitas de pequenas fibras de Polipropileno (PP) dispostas aleatoriamente e coladas por calor ou pressão. Portanto, são feitas de plástico!

O que ninguém leva em consideração é que, intrinsecamente o plástico não é bom nem ruim. É igual a uma faca. Intrinsecamente uma faca não é boa e nem má. Depende do uso que se faz dela. Ela pode servir para preparar deliciosos alimentos ou ser usada para ferir alguém. O plástico é a mesma coisa, assim como a internet, uma corda…Infelizmente o ser humano trata muito mal o plástico por descartá-lo como lixo e em qualquer lugar.

O Plástico na verdade pode salvar o meio ambiente! Pense: se não houver mais plásticos. Olhe para seu celular, para sua mesa, seu computador, caneta, roupas, fraudas, óculos, carros e infindáveis coisas que facilitam a nossa vida com o plástico. Agora imagine que não há plásticos. Do que seriam feitos tudo isso? De metal? Tecido? Pedra? De papel? Se fosse de papel, como muitos defendem, então, acabaríamos rapidamente com florestas ou fazendas produzindo alimentos para plantar árvores de corte para fazer papel e atender a demanda de uma população gigante e que cresce exponencialmente. A celulose vem das árvores. Para tecidos é o algodão que é pior ainda, pois necessita irrigação e é menos produtivo que florestas. Não sou contra o papel. Amo o papel e tudo que ele fez e faz por nós até hoje. No entanto, não precisa ser um paradoxo entender que o plástico é importante para a vida humana, assim como o papel, o metal, o tecido…

A distribuição de sacolinhas plásticas no comércio é um produto que tem dado o que falar nos últimos 8 anos. Desde que a prefeitura de Santos – SP proibiu a distribuição gratuita outras cidades adotaram medidas similares. O excesso de sacolas plásticas e os danos que elas causam ao meio ambiente, quando descartadas incorretamente, tem sido usado como motivo para se criar leis que supostamente vão resolver o problema. É sabido que as sacolinhas de supermercado são REUTILIZADAS para colocar o lixo caseiro. Ao proibir a sacolinha do supermercado, as autoridades estão simplesmente obrigando às pessoas que reutilizam essas maravilhas, a comprar a alternativa: sacos de lixo feitos de plásticos muitas vezes mais pesados que as sacolinhas! Não faz sentido!

Não somos contra a diminuição do uso do plástico. Isso é positivo, é consumo responsável, mas daí a taxá-lo como grande vilão da humanidade já é outra história.

Você sabia que na Califórnia, o mais rico estado americano, as sacolas de plástico estão banidas desde 2016? Depois da decisão do governo estadual, outras 139 cidades californianas também decidiram banir as sacolas, acusadas de dano ao meio ambiente.

Mas um estudo publicado em janeiro no Journal of Environmental Economics and Management demonstra como é complicado quando leis radicais esbarram em nosso comportamento. Em vez de ajudar o meio ambiente, o banimento pode estar piorando.

Ao comparar cidades da Califórnia onde as sacolas foram banidas com cidades onde ainda são usadas, a economista Rebecca Taylor (Universidade de Sydney) descobriu uma disparada nas vendas de sacos de lixo. A proibição de sacolas havia se esquecido dos donos de animais.

O aumento maior no consumo, de mais de 120% do modelo que serve, por exemplo, para donos de cães recolherem a sujeira nas ruas. Como sacos de lixo são mais grossos, consomem mais plástico na fabricação. Poluem mais.

Estimava-se que o banimento das sacolas tiraria 18 milhões de toneladas de plástico da natureza, mas um terço (6 milhões) da economia foi perdida com maior volume de sacos de lixo. As cidades do banimento também usam mais sacolas de papel. Algo como 36 milhões de toneladas a mais de papel passaram a ser descartados na natureza, segundo o estudo.

O plástico visto como o motor do “apocalipse”

Os ambientalistas alegam que o plástico derivado de petróleo pode levar mais de 300 anos para se decompor, ao passo que a decomposição do plástico biodegradável dura entre 30 e 180 dias. Argumentam ainda que o consumo excessivo desses materiais e o descarte inadequado provocam poluição do solo e da água, além da morte da fauna aquática e terrestre por engasgamento ou por enroscamento. Tudo isso deve ser verdade!

De acordo com o Banco Mundial, o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas por ano, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. Do total gerado, cerca de 91% são coletados, mas apenas 1,28% são efetivamente reciclados, percentual bastante inferior à média global de 9%.

Mas o que deve ser questionado aqui não é o plástico, e sim o modo como ele é descartado!

A Guerra dos “Canudos”

Em relação aos canudos plásticos, o Estado do Rio de Janeiro, saiu à frente de São Paulo ao proibir a utilização de canudos em bares e restaurantes, hotéis de serem oferecidos à clientela. A medida era uma alternativa que deveria ajudar a melhorar o meio ambiente, mas, agora, gera preocupação. Os comerciantes do Rio têm tido dificuldades para encontrar o canudo de papel biodegradável nos centros de distribuição.

Na sequência, a proibição dos canudos plásticos no estado de São Paulo foi determinada por lei, sancionada pelo governador. Agora, esta proibição também está atormentando os comerciantes paulistas por conta dos mesmos fatores encontrados no Rio de Janeiro, como poucos fornecedores de canudos fabricados a partir de outros materiais, bem como a exorbitante diferença de preços. Com pouco tempo de atraso.

Muito além de sacolinhas e canudinhos

Entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacolas plásticas são consumidas em todo o mundo anualmente. No Brasil, cerca de 1,5 milhão de sacolinhas são distribuídas por hora! Achou muito? A natureza também.

A questão é que, no calor da discussão, alguns estudiosos dizem que a proibição das sacolas plásticas não garante grandes mudanças, já que a maior parte do lixo nos aterros é composta de materiais orgânicos. Além disso, de nada adianta abolir o uso das sacolinhas, se as pessoas continuarem consumindo desenfreadamente, desperdiçando recursos naturais, jogando lixos em locais impróprios, entre outras atitudes inadequadas e irresponsáveis.

Essa é uma polêmica mundial. Vários países já proibiram ou restringiram o uso das sacolas plásticas, como França, o Reino Unido, a Alemanha. O fato é que a corrida ambiental contra o “plástico” desperta uma discussão sobre como utilizamos os polímeros atualmente. Também levanta pauta sobre as perspectivas para um futuro de diminuição deste consumo. No entanto, esta decisão na prática implica em uma série de dificuldades, nas quais a engenharia de materiais pode ter um papel decisivo. Diferentes rotas podem chegar a soluções para o problema do lixo plástico.

Uma alternativa é o uso de polímeros biodegradáveis. Estes são degradados pela natureza em tempos menores que os polímeros convencionais. Porém, estes polímeros sofrem por apresentar elevado custo de produção, com propriedades semelhantes aos polímeros convencionais. Seria esta a oportunidade de aumentar sua demanda para reduzir seus custos?

Os polímeros são realmente os grandes vilões?

Mas, e sobre as sacolas plásticas, os polímeros são realmente os grandes vilões? Aparentemente não. Alguns candidatos a substitutos óbvios também têm seus problemas. A produção de sacos de papel descartáveis utiliza quatro vezes mais energia na sua produção. Além disso gera 50 vezes mais poluição aquática e 70% a mais de poluição do ar. Sacolas duráveis de pano também possuem uma grande carga de dano ambiental, pelo massivo consumo de água, pesticidas e energia na cadeia de produção de matéria prima, o algodão.

As sacolas reutilizáveis de plástico, no entanto, apesar de sua origem fóssil podem ser uma boa alternativa. Estas, em cerca de três usos, se tornam mais amigáveis ao ambiente que sacolas descartáveis de polietileno. E ainda, podem ser produzidas a partir da reciclagem do PET (polietileno tereftalato), dando um novo destino a outro produto também conhecido como vilão ambiental: as garrafas.

O consumo consciente leva em consideração o impacto individual de um produto – quanto consumiu de matéria-prima e insumos, quanto provocou de poluição em sua produção, se pode ser reciclado, etc. – e também o impacto coletivo do consumo somado de todos os cidadãos. A atitude responsável de cada um faz enorme diferença para a qualidade de vida de todos. Desenvolver este olhar sobre as sacolas plásticas é o primeiro passo para transformar os nossos hábitos de consumo.

Então, o problema estaria na máscara de TNT ou no comportamento dos seres humanos?

Autor: Eudes Scarpeta

Fotos: Reuters/Yoyo Chow – “Máscaras descartadas estão se amontoando nas praias e trilhas naturais de Hong Kong, e grupos ambientalistas estão alertando que esse lixo representa uma grande ameaça à vida marinha e aos habitats dos animais selvagens”.

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