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Amadeu Teruel deixa grande legado à flexografia, indústria em que acreditou e ajudou a se desenvolver

Por Lúcia de Paula.

Amadeu Teruel faleceu aos 91 anos de idade, no dia 17 de julho de 2019, na cidade de Jaguariúna, na região de Campinas, SP, cidade onde ele fundou a Teruel Papéis Amália (Teruel Embalagens) 50 anos atrás, nos tempos da flexografia antiga, quando poucos acreditavam nesse processo de impressão de embalagens. (Na foto: Amadeu visitando a Drupa90, em maio de 1990).

À frente do seu tempo, Amadeu Teruel foi um desses poucos que enxergaram o futuro da flexografia. Ao lado de sua esposa Amélia Bertazo Teruel, acreditaram, investiram todos os seus esforços e contribuíram enormemente com a evolução desta indústria que hoje é a maior na produção de embalagens flexíveis, corrugados e rótulos/etiquetas no Brasil e no mundo.

Como era de seu feitio colaborador, contribuiu ainda com o livro “História da Flexografia no Brasil”, ajudando a contar como evoluiu essa indústria no país. O livro foi editado em 2018 pela ABFLEXO/FTA-Brasil, Scortecci Editora, escrito por mim que sou grata e lisonjeada pela oportunidade que tive de entrevistar o sr. Amadeu e sua esposa sra. Amélia, e destaco o trecho relatado na obra (às páginas 58 e 59), que se segue:

A Teruel Papéis Amália ingressou na flexografia trabalhando com uma máquina de fazer sacos de papel, comprada de segunda mão, em 1969, por Amadeu Teruel. Mas antes, por quase uma década, Amadeu e a esposa Amélia Bertazo Teruel compravam papéis velhos, separavam para reciclagem, pesavam e empacotavam em fardos para vender.

“Minha esposa controlava a balança e até ajudava a carregar os caminhões com os fardos de papéis velhos. Eu comprava e meus filhos, ainda pequenos, ajudavam nas máquinas e na venda”, relembra Amadeu Teruel, fundador da Papéis Amália Ltda (Teruel Embalagens).

“Começamos confeccionando saquinhos de papel para padarias, farmácias e armazéns, mas sem impressão. Só depois é que compramos uma máquina rotalina que imprimia o nome do estabelecimento, o endereço e alguma propaganda. Também comprávamos bobinas de papel para cortar em folhas de embrulhar pães para padarias”, conta Amélia Bertazo Teruel.

Poucos anos depois Amadeu comprou seis terrenos próximos ao depósito de papéis velhos, aonde viria a ser a primeira sede da Teruel. A empresa foi se profissionalizando e crescendo, comprando novas máquinas, contratando profissionais especializados nas áreas administrativa e comercial, mas treinando dentro de casa a mão-de-obra técnica, porque até final dos anos 1990 não se encontravam no mercado profissionais com qualificação na flexografia. Logo, a empresa se tornou também uma produtora de embalagens industriais e de materiais de comunicação visual em plástico e seus derivados.

No início dos anos 1990, Amadeu conheceu o italiano Giuseppe Brandi, técnico especialista em artes gráficas que foi um ícone da flexografia moderna no Brasil que trouxe conhecimento técnico da Itália. Brandi estimulou os empresários brasileiros a investir no segmento e, como sua luta pela modernização da flexografia vinha ao encontro dos ideais da Teruel, logo foi contratado como consultor técnico.

“Olha, estas máquinas aí não funcionam, não dão velocidade, não dão coisa bonita, não dão nada; vocês têm de fazer alguma coisa”, dizia Brandi a Amadeu. Foi assim que ele levou Amadeu à fábrica da Uteco na Itália. “Nessa visita, compramos nossa primeira impressora com a mais alta tecnologia existente na época em flexografia na Europa, em 1993”, conta Amadeu.

Diante da evolução do mercado flexográfico, em 1998 a empresa ampliou suas operações com instalação de uma unidade fabril em Ouro Fino, MG, que lhe permitiu ampliar sua produção e linha de produtos. Com a gestão dos negócios já nas mãos dos três filhos de Amadeu e Amélia, em 2006 a Teruel faz novos investimentos: amplia a fábrica de Campinas e começa a operar com a mais atual tecnologia mundial, uma impressora flexográfica gearless, que importou da italiana Uteco, além de uma laminadora solventless. Em 2013, mudou sua sede e fábrica de Campinas para novas e modernas instalações em Jaguariúna, SP.

Fonte: Trecho extraído do livro História da Flexografia no Brasil, Scortecci Editora, 2018, editado pela ABFLEXO/FTA-Brasil.

Imagem: cedida pela família

 

Sobre Lúcia de Paula

Lúcia de Paula
Jornalista, repórter, editora, produtora de conteúdo em projetos especiais.

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