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As tendências e desafios da Flexografia apontados no Congresso Latino-americano FlexoSummit 2019

Por Lúcia de Paula

Tendências e desafios da Flexografia apontados no FlexoSummit 2019 – Parte 1

Padrão nos processos, padrão de cores em conformidade com normas internacionais, conectividade das coisas, interatividade, indústria 4.0, sustentabilidade e operador capacitado e atualizado são as diretrizes que já estão ditando o futuro da flexografia, conforme as tendências já iniciadas visivelmente nos mercados norte-americanos e europeus, também já vem tendo investimentos por empresas no mercado brasileiro.

O tema Gama Expandida permeou as apresentações de maioria das palestras, e cada palestrante chamou a atenção para diferentes detalhes fundamentais na implantação desta importante e atual ferramenta para a impressão flexográfica de alta performance. Simulação de impressão foi outro tema importante: muitas tecnologias estão surgindo para que não se use a impressora para simular, como várias delas foram apresentadas.

Shyamal Desai, gerente Técnico de Marketing para as Américas da DuPont Advanced Printing, falou sobre as tecnologias disponibilizadas pela DuPont para “fazer uma embalagem brilhante”, com foco na otimização de processos e de custos para garantir maior competitividade aos produtos e marcas no PDV.

Na tendência de reduzir a espessura de suas embalagens pelos donos de marca, o desafio para os impressores é garantir uma embalagem atraente no PDV e para isso a flexografia é a melhor opção, com diversos ganhos em relação à rotogravura, por exemplo a sustentabilidade alcançada pelo sistema térmico de gravação de chapas DuPont FAST que dispensa solventes e outros químicos. Outro exemplo é a aplicação do branco para que a embalagem se destaque. “A indústria sempre usou a opacidade para descrever o branco, mas na realidade o branco é apenas uma dimensão; a granulação e o pinholing garantem as outras duas dimensões. Para altas luzes, a DuPont tem trabalhado com líderes da indústria, como Esko, cujo sistema Print Control Wizard permitem se alcançar excelentes altas luzes”. Destacou o portifólio de chapas DuPont Cyrel EASY como uma plataforma aprovada que permite essas tecnologias e ainda permite que donos de marca e parceiros utilizem a tecnologia de gama expandida.

Steve Smiley, especialista em flexografia, Hall da Fama da FTA e consultor associado da Idealliance, que é a empresa certificadora do G7. Em sua palestra Steve ressaltou: “O que não se consegue medir não se consegue provar, documentar”. Ele destacou que hoje já tem donos de marcas que trabalham com as metodologias G7 e o TVI para flexo, que ocupa a liderança nos requisitos de qualidade impostos pelas marcas. Nesse cenário, os impressores precisam adotar a norma ISO 15339, de fluxos de trabalho e controles de processos apropriados, todos com foco a reduzir o desperdício de tempo e de matéria-prima. O treinamento G7 funciona com qualquer máquina. “O designer monta o fluxo de trabalho levando 2 a 3 horas, calibrando, porém, hoje isso é muito reduzido com o treinamento. A troca de dados fica muito simples, comparando no passado quando se usava perfis de ICC que às vezes davam certo na amostra, outras não, e então se calibrava. No G7 o impressor faz um padrão para todas as máquinas e se tem a cor que quiser. O G7 é completamente diferente do que se fazia com calibração. O resultado: o cliente aprova na primeira prova”.

Na palestra de Carlos Saya, Diretor global de marketing da tesa, ele apresentou um novo conceito de montagem de clichês: a tecnologia tesa Twinlock. Trata-se de uma camisa compressível, autoadesiva e reutilizável destinada à impressão de alta qualidade que dispensa as fitas dupla-face. “O polímero é feito para ser adesivo e não perde suas propriedades físicas e apresenta adesão permanente e compressibilidade”. Segundo Saya, a camisa pode ser do fabricante de sua preferência. Nela é adicionada uma camada de espuma de poliuretano – PU, que é revestida com um polímero único mantendo a pegajosidade, e mantendo limpeza e manuseio adequados, a camisa pode ser utilizada sem limites. “Twinlock talvez não seja uma tecnologia tão conhecida no Brasil, mas no mercado de flexo na Escandinava existem empresas que trabalham com ela há pelo menos 4 anos”.

Na palestra de Paulo Monteiro, vice-presidente de vendas para Américas da GMG Color, ficou claro que nos dias atuais é impossível se pensar em produção de embalagens sem ter um sistema de prova que simule a condição de impressão, do anilox, da tinta. Segundo ele, em termos de investimento em tecnologias nesse segmento, o mercado brasileiro está com um atraso em torno de 15 anos. Paulo orientou sobre a implantação de sistemas de provas confiáveis e seguros, sobre tempos gastos para se fazer as conversões de cores, e destacou sobretudo os cuidados a serem observados na adoção de Gama Expandida (GE) com vista a economizar tinta e reduzir setup, pois o processo é complexo, segundo ele. “A decisão pela implantação exige uma série de investimentos, e a empresa precisa estar disposta a fazer os investimentos necessários da tecnologia, upgrades e reeducar o pessoal de produção que é a base crucial que fará com que o sistema seja um sucesso. Paulo apresentou uma ferramenta em que o convertedor pode fazer seus cálculos sobre a implantação de GE e então checar se vale a pena para ele implantar ou não, ou em quais situações assim por diante.

Denilson Vicentim, Coordenador de Assistência Técnica na Rhodia Solvay, também autor do livro Solventes Industriais, falou em sua palestra sobre as soluções inovadoras que tragam benefícios sociais, ambientais, sustentáveis e de competitividade econômica. Por meio de uma nova plataforma tecnológica, que contempla flexibilidade e personalização de produtos e serviços direcionados aos diferentes tipos de desafios e necessidades individuais dentro da indústria flexográfica de embalagens. Apresentou a plataforma NG Solsys, disponibilizando uma tecnologia digital, com o Solsys Life, desenvolvido para permitir que a indústria flexográfica possa experimentar por si só as diferentes possibilidades de combinações e soluções exclusivas de interação de sistemas solventes para embalagens. “O Solsys melhora o desempenho de uma determinada aplicação e reduz o tempo de absorção. A solução oferece a simulação da melhor performance sem ir para uma simulação em máquina”.

Dr. Kiran Deshpande, Especialista em gerenciamento de cores e impressão em Gama Expandida, na Siegwerk. Destacou a evolução da indústria: da revolução industrial (1.0), da linha de montagem (2.0), da computação e informatização (3.0) e a da conectividade das coisas (4.0). No gerenciamento de cores, a evolução seguiu este curso: 1ª geração ocorreu nos 1970 com medição visual da densidade de cor, CIELAB, spectral; a 2ª geração aconteceu nos anos 1990 com introdução dos softwares, aplicativos proprietários de perfis ICC; a 3ª geração ocorre nos 2010 com os sistemas e todas as tecnologias digitais (provas e medições na impressora, padrão ISO, FOGRA, G7, CxF); e por fim a geração 4.0: a da interconectividade, integração de sistemas e todos eles na nuvem (chamado de iccMAX), em progresso ainda e sua previsão é 2030. “Olhando para a cadeia de embalagem (dono de marca, designer, prepress, sala de tintas e a de impressão), a ideia do gerenciamento de cor é ter a definição de cores bem antes da impressão, evitando qualquer etapa de processo… Já temos muitos padrões sendo usados, que já vem acontecendo com a visão do gerenciamento de cores para chegar ao padrão. A automação já está acontecendo, o controle da cor, a clicheria e a pré-midia automatizadas, mas ainda é bem pouco. Depois disso é preciso a integração e conectividade. Estando a arte da embalagem na nuvem, a impressão poderá ocorrer em qualquer país”.

Palestrante: Alexsandro Pires – Especialista em Flexografia, na Clicheria Blumenau

Falando como um convertedor, Alexsandro elencou os 10 itens infalíveis que podem ajudar o convertedor a escolher um fornecedor ideal de clicheria, embasado por critérios técnicos e objetivos, garantindo não apenas um bom fornecimento, mas a melhor relação custo x benefício para este insumo tão estratégico, que são as chapas flexográficas. Entre esses 10 itens explicados pelo palestrante, a clicheria concorrente deve ter: a automação de processos; portal B2B (Business to Business); rastreabilidade e controle de processos internos; gerenciamento de cores de alta performance; tecnologias de alta lineatura; gama expandida de alta performance; tecnologia de alta lineatura; segurança e retenção de dados; logística avançada; equipe técnica certificada e eficaz; times e nichos de negócios especializados.

Piet Cottenie, Diretor-sócio da Hybrid Software, em sua palestra, abordou a indústria 4.0 aplicada à indústria flexográfica sob um prisma de 9 pilares: computação em nuvem; IoT; Cyber-segurança; integração entre sistemas; ambientes de simulação; robótica; big data; realidade aumentada e manufatura aditiva. Vários desses pilares já estão presentes na nova geração de fluxos de trabalho (workflow) e de soluções que visam a automação da pré-impressão flexográfica. “Para tornar essa decisão é preciso coragem, mas os benefícios são muito grandes. Estamos trazendo a indústria 4.0 para a flexografia no Brasil”.  Piet destacou ainda a indústria 4.0 é um sistema de colaboração entre elementos computacionais, é a internet das coisas, são as redes.

Para mais informações sobre o próximo Congresso, acesse: www.projetopack.com.br

FlexoSummit 2021: 19 e 20 de maio de 2021

Sobre Lúcia de Paula

Lúcia de Paula
Jornalista na Linha Fina Conteúdos Jornalísticos, com 30 anos de experiência, especializada em flexografia, atuando no setor desde 2005; autora do livro História da Flexografia no Brasil, editado pela Abflexo/FTA-Brasil, Scortecci Editora, em 2018.

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