SINGLE COLOR, TEST CHART ou FINGER PRINT: O que são, para que servem e como realizar

Por

Eudes Scarpeta.

SINGLE COLOR, TEST CHART e FINGER PRINT são uma das mais importantes ferramentas para levantamento da curva de ganho de ponto do processo de impressão na flexografia! Pena que pouca gente sabe disso ou dá o devido valor. Mas, como é possível então que se controle o processo usando um Test Form? Neste artigo, confira dicas importantes para você acertar logo na primeira vez!

Mas, primeiro temos que entender conceitualmente o que são cada um.

TEST FORM ou Formulário de Teste é o nome genérico para todo recurso/teste com objetivo de levantar as variações e capabilidade do processo de impressão com o objetivo de corrigir curvas de reprodução e padronização do processo.

  • Pode ser:
    • Single Color
    • Test Chart
    • Finger Print

O que é um SINGLE COLOR?

É um Test Form para imprimir em uma única cor (normalmente impresso em cyan, mas pode ser qualquer outra cor visível). Não levanta perfil de cores, apenas curva de ganho de pontos. Usado como primeiro levantamento das características da máquina do cliente pelas clicherias, por ser prático e rápido.

O que é o TEST CHART?

É um Test Form para levantamento não só da curva de reprodução da máquina com as quatro cores, CMYK, como também as densidades e desvio padrão de cor. Embora é comum colocar algumas imagens ou cromias, essas tem apenas caráter de avaliação visual. Alguns exemplos são o IT 8.7/4, P2P51 (G7), TC1617 (IT8.7/5) entre outros. O que realmente importa é no Test Chart são os “patchs” (pequenos quadradinhos combinados em diversas porcentagens de cores CMYK) e que serão lidos por um instrumento especializado tipo i1 e outros.

Test Chart onde o mais importante são os “patchs” coloridos.

 

Os instrumentos fazem a leitura apenas dos “patchs” de modo automático ou manual.

O que é um FINGER PRINT?

O Finger Print é um uma combinação de de charts ou patchs de controle, imagens diversas e elementos de verificação visual de impressão, como textos com tamanhos e famílias diferentes, bem como positivos e negativos, linhas com diversas espessuras positivas e negativas, registro, pressão de impressão, entre outros elementos e serve mais como verificação visual da impressão, mas pode conter “charts” também.

Exemplo de um Test Form do tipo Finger Print da Idealliance.

Formulário de Controle do Test Form

Importante durante o teste em máquina fazer anotações específicas para depois reproduzir na produção as condições do testes cruzando informações de anilox (tipo, BCM e lineatura), tinta (diversas características como fabricante, força de cor, densidade, viscosidade e aplicação), clichê (lineatura, tipo de cópia/gravação e fabricante) e Dupla-face (fabricante, tipo, compressividade, etc). O resultado é único e intransferível, ou seja, só serve para aquelas condições de máquina/anilox/clichê/tinta/dupla-face. Não dá para utilizar o resultado do teste em outra empresa ou mesmo em outra máquina.

 

Quais os tipos de Test Chart que existe e qual o melhor?

Alguns são IT 8.7/4, P2P51 (G7), TC1617 (IT8.7/5) e GMG entre outros.

 

Como é feita a medição?

Depois que o Chart estiver impresso, será recolhida uma amostra e enviada para a pré-impressão ou clicheria. Lá eles recortam o chart (o quadro com os inúmeros quadradinhos coloridos) e passam num scanner apropriado como o i1 da Xrite ou fazem a leitura manualmente.

Fazendo a leitura do Chart impresso.

 

Há diferença entre Test Form e “Finger Print”?

O objetivo principal é o mesmo, ou seja, ambos darão a performance de ganho de pontos e características de reprodução daquela impressora e insumos. No entanto, o termo Finger Print é mais utilizado no processo de impressão offset. Já na flexografia, o teste evoluiu para o “CHART”. O Finger Print é composto de diversos elementos além do “Chart” de cores, como registro, sobreposições, linhas finas e grossas, escalas de “gris” ou cinza, “slur” ou esmagamento, entre muitos outros. No entanto, tudo isso pode servir apenas como um estudo visual porque o que manda mesmo é o ganho de pontos que pode ser levantado com o Test Chart ou Test Form. Um exemplo de Finger Print utilizado muito no passado é o famoso Cyfos desenvolvido pela Dupont para “mapear” o processo de impressão, mas não é mais usado hoje em dia.

Finger Print FIRST da FTA para flexografia. Note que há diversos elementos gráficos como textos, precisão dos registros, código de barras, linhas, slur (pressão) e outros controles visuais.

 

Durante um tempo foi utilizado o IT8 que é um chart desenvolvido originalmente pela ANSI (American National Standards Institute) e depois foi incorporado pelo CGATS (Committee for Graphic Arts Technology Standards) em 1994 e tinha como objetivo calibrar máquinas fotográficas, mas que com o tempo passou-se a utilizar para levantamento da curva de reprodução gráfica. Possui targets (quadradinhos para leitura do scanner) com 24 para gris (cinzas), 264 cores em 22 colunas. Atualmente se recomenda as versões mais atuais do IT8, visto que os charts estes possuem quase 2.000 targets ampliando muito o gamut (espaço ou profundidade de cores).

De qualquer forma, ambos funcionam e cabe a cada empresa que está interessada em conhecer seu processo de formação da imagem na sua impressora ver o que é melhor com sua clicheria.

Recomendações para realização do teste em máquina

  • Escolha junto com a clicheria o melhor Test Form para o seu caso. Imagens fotográficas e de embalagens servem apenas como guia visual, porque na prática o que interessa mesmo é o chart (quadro com os patchs, targets ou quadradinhos).
  • Determine também quais valores de densidades. Só para se ter uma ideia, as densidades variam dependendo do tipo de gravação se você está usando chapas com superfície modificada ou se é Digital Convencional. A clicheria deve dizer pra você o que é melhor. Para entender bem, vamos dar um exemplo: no caso das chapas com superfície modificada, as densidades deverão ser maiores que o Digital Convencional porque essas placas vão transferir maior volume de tinta, especialmente nas áreas chapadas e isso aumenta a força de cor na impressão. Mas a densidade pode variar com a variação de viscosidade e até mesmo temperatura da tinta. Isso sem falar em entupimento de anilox.
  • Lineatura do clichê (Test Form): utilize a lineatura mais comum que costuma trabalhar. Não invente colocando lineatura muito altas para o seu tipo de produto impressão. Não adianta fazer um test form com lineatura de 70 LPC, se você trabalha normalmente na casa das 48 ou 60 LPC.
  • Aniloxes Limpos: não esqueça que deverá usar os aniloxes que normalmente utiliza para impressão, porém muito bem limpos.
  • Configuração de Anilox versus Retícula do clichê: a lineatura do anilox e as dos clichês devem ser apropriadas. Minha sugestão é que você trabalhe com proporções de 6×1 no caso de ponto flat (topo plano) ou seja, o anilox deve ter 6 vezes a lineatura do clichê. Por exemplo, se seu clichê tem 54 LPC, então seu anilox deve ter pelo menos 320 LPC. E no caso do digital convencional utilize a proporção de 8×1. No entanto, hoje em dia os aniloxes estão acima de 420 LPC até mais de 500 LPC e, somado à tecnologia de ponto de topo plano, isso se torna uma preocupação menor.
  • Cuidado sobre onde mede: durante algum tempo houve uma discussão no órgão mundial de padronização para a área gráfica sobre que papel deve-se utilizar debaixo da amostra que você vai medir. Bem, se a amostra é sobre material auto-adesivo não há muito com o que se preocupar, porém se a amostra é transparente, então coloque folhas de papel sulfite branca por baixo. O ideal mesmo é o papel LENETA que possui padrão mundial ou mesmo uma placa de calibração de cerâmica branca, por exemplo.
  • Velocidade de impressão: utilize velocidade que costuma rodar a produção. Velocidade muito acima ou muito abaixo do normal que você está acostumado nesta impressora dará resultados distorcidos.
  • Tinta: Todo o cuidado é pouco neste caso, porque é da tinta que vem a cor. Limpe cabalmente todo o sistema de entintagem (bombas, mangueiras, doctor blade, etc). Coloque facas novas. JAMAIS reutilize tinta que já foi utilizada num serviço anterior. Prepare tintas novas. Acerte viscosidade e secagem (no caso de tintas a base de solventes ou água) e primeiro chegue nas densidades primeiramente trocando os ANILOXES se possível e por último mexa na tinta. NUNCA tonalize qualquer tinta cromia. Cuidado com contaminações durante o teste.
  • Teste sobre substratos diferentes conforme a necessidade. Não é necessário fazer sobre PET transparente e também BOPP transparente, porque ambos darão resultados idênticos.
  • Faça anotações cabais nas amostras recolhidas. Guarde umas amostras para você também além daquelas que a clicheria levará para fazer as medições. Só descarte quando for feito novo teste e este substitua o anterior.
  • Quando fazer novo teste? As razões para se fazer novos testes são diversas e a decisão é sua comparando os resultados. Normalmente deve-se fazer novos testes quando trocar de clicheria ou de sistema de gravação (por exemplo, sair de gravação convencional e ir para ponto de topo plano), mudança do fabricante ou tipo de tinta, nova máquina impressora, novos aniloxes com configurações diferentes daquelas que você usava (por exemplo, trocar de gravação convencional hexagonal para GTT (ou vice versa) ou mudar de fabricante de tinta).

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